domingo, 16 de setembro de 2012

Reinos modernos (parte 2 de... Bem, saberemos quando terminar XD)

Como prometido, aqui está o capítulo dessa semana de reinos modernos, aproveitem e curtam XD
(obs: este é um pouco mais logo que o anterior, espero que vocês não se importem XP)

Capítulo 2


Adam estava cansado. Tão cansado que mal conseguia se manter acordado naquele maldito funeral. Tinha trabalhado sem parar por praticamente três dias consecutivos sem dormir direito e os projetos ainda estavam pela metade.
Adam Albarn era o jovem de cabelos oleosos negros, encurvado, com os braços apoiados nos joelhos e olheiras profundas. Sentava-se em meio as fileiras de bancos de madeira da Catedral. Seu estado não condizia com seu humor habitual, isso se devia tanto ao seu cansaço e sono como ao profundo pesar.
Os burburinhos e o mormaço não estavam tornando aquela situação nem um pouco mais tolerável. E se continuasse daquela forma, Adam definitivamente iria ter um ataque de agonia ou um colapso nervoso.
E enquanto o sr. Antony começava seu discurso, Adam remoía a morte do falecido, que veio sem mais nem menos, sem aviso prévio.
Três dias atrás Marcus estava bem e forte, tinha aparecido pelo escritório da firma com sua característica mochila negra, sobretudo de quatro botões e o sorriso debochado de sempre, como se achasse que por trás de tudo houvesse uma piada que somente ele entendesse. Foi ao escritório do pai de Adam, Eric Albarn (presidente e co-fundador da Construtora Albarn), tratar de negócios e cobrar um ou dois favores. Após isso Macus chamou Adam para um passeio. Almoçaram num restaurante perto do escritório, onde tiveram a sua ultima conversa. Algo que Adam remoía ainda agora, diante do cadáver da pessoa que lhe fora como um bom tio.
- Como vai a vida, “Jovem Al”?- Perguntou Marcus quando encontraram algum canto apropriado para sentarem.
-Você sabe, o de sempre: plantas para projetar, plantas para revisar, erros para corrigir... Eu digo, se meu pai fosse um pouco mais rigoroso comigo, ele me daria plantas para plantar!- Respondeu Adam com um sorriso maroto. E Marcus deu sua gargalhada característica.
- Isso é bom, isso é bom- Comentou quando parou de rir- Então... Nada de mais mesmo?
-uh hum- Concordou Adam- Sobre o quê você e meu pai trataram dessa vez?
-O de sempre: Negócios... E tentando convencê-lo a liberar o filho para um almoço mais cedo com um velho amigo- Acrescentou como se fosse um mero detalhe.
Adam sorriu.
-Você não toma jeito mesmo, não é?
-Não- Concordou retribuindo o sorriso- Não mesmo
- Então... Aqui estou, tendo um agradável almoço com “tio Marc”, tudo bem, tudo certo, Mas- Ele olhou diretamente nos olhos do amigo- Eu não consigo parar de pensar que possa haver um motivo ulterior por trás dessa coisa toda...
Marcus levantou uma sobrancelha.
-É tão estranho assim um amigo chamar outro para um almoço? Jogar conversa fora e coisas do tipo?
Adam apenas retribuiu um olhar duvidoso. Marcus suspirou e levantou as mão de maneira teatral.
-Tudo bem você me pegou. Eu admito, tem um motivo. Mas provavelmente você não vai gostar.
-Se você estava escondendo, claro que não seria algo agradável. Mas sabe como é a vida, né? Temos dias e dias. E seja lá o que for, estou preparado.
-Vida, né...- Marcus ficou um pouco mais sério- Vim aqui me despedir.
Adam ficou calado por alguns segundos, em choque.
-Ok, retiro o que disse. Eu definitivamente não estava preparado.- Disse quando se recuperou.
Marcus deu outra gargalhada.
-Sabe, acho que esse é um dos motivos de eu considerá-lo um dos melhores, Adam.
-O que você quer dizer?
-Mesmo diante de uma notícia dessas, você consegue amenizar as coisas, deixar o clima mais leve... Não são muitas pessoas que conseguem fazer isso de maneira tão despretensiosa e eu gosto disso, faz com que a vida pareça suportável.
- E não é?
Marcus gargalhou mai uma vez.
-É disso que estou falando, mas você ainda tem muito que aprender, “Jovem Al”
Adam ficou meio desconcertado, mas logo retomou a conversa.
-O que você quis dizer com “despedir”?
-O que eu disse, estou indo embora da cidade para realizar um trabalho de muito longa data. Pode ser que eu nem chegue a voltar.
-Falando nisso, será que algum dia você vai me falar com o que você trabalha afinal?
Marcus pareceu meditar sobre a questão,olhou para o amigo por alguns segundos, parecia prestes a dizer algo, mas desistiu, apenas disse
-Algum dia, “jovem Al”. Hoje não, mas com certeza algum dia.
-Sentirei saudades.
-Eu sei- Ele abriu um sorriso maroto- Por isso vou deixar algumas coisinhas com você. Pra me certificar que não serei esquecido.
-Eu jamais faria isso!
-Sei que não,mas de qualquer forma...- Marcus deu de ombros e tirou uma caixa de sapatos que parecia ocupar metade do volume da mochila- Desculpe, mas não consegui nada melhor para guardar essas coisas e não precisarei mais delas na cidade aonde estou indo.
Adam recebeu a caixa com uma mistura de desconcerto com perplexidade e confusão. Parecia velha e bem usada, estava um pouco amassada e a estampa original já havia abandonado o papelão. Ele remecheu um pouco e ouviu objetos se deslocando e se chocando.
-O que há aqui dentro?- Perguntou o jovem desconfiado.
-Nada ilícito...- Ele parou e reconsiderou um pouco- Para os padrões comuns... Ah, não é nada que te levaria para a cadeia, ou que te trará problemas- Ele abriu um sorriso que dizia, quase que com todas as palavras “Não sei exatamente como me explicar”
Adam achou graça daquilo.
-Você não toma jeito mesmo, não é?
-Não, Não mesmo.
Depois de almoçarem, os dois trocaram um forte aperto de mão e um abraço.
-Se cuide, tio- Falou Adam tristemente
-Você também jovem Al, você também.
Depois disso Marcus foi se afastando, suas costas viradas para Adam, acenando com a mão direita, sem olhar para trás.
No dia seguinte foi anunciado que Marcus Devian morreu.

-Adam Albarn- Foram as palavras que o retiraram de seus devaneios. Ele percebeu que uma lágrima escorreu pelo canto direito do seu rosto. Adam levantou pesadamente a cabeça e percebeu que o homem de branco na tribuna o invocava.- Se desejas prestar algum ultimo tributo ao senhor Devian, a hora é agora.
Adam limitou-se a abanar a cabeça afirmativamente e lentamente se levantou. Parecia não sofrer mais tanto com a fadiga do trabalho e se sentia um pouco mais disposto a encarar a realidade.
No trajeto para o caixão ele sentiu os olhares sobre ele: curiosos, desdenhosos, inquisidores. Com uma discreta olhadela pelos cantos dos olhos, Adam ficou admirado como o jogo de luz e sombra recaia sobre as pessoas que o observavam, encobrindo metade de suas faces em sombra e iluminando a outra em luz, um efeito bastante singular, especialmente em se tratando dos olhos, que pareciam todos serem de duas cores diferentes.
O caminho para o caixão parecia longo e pesaroso, cada passo parecia mais difícil de se dar que o anterior, e quanto mais se aproximava do caixão, mais Adam sentia o pesar de seu peito, mais olhares se voltavam para ele.
E mais quieta a catedral parecia ficar.
Quando chegou ao caixão, a luz que vinha da entrada não mais aquecia suas costas ou mesmo seus sapatos. Ele sentiu como se as sombras daquela Catedral o abraçassem e convidassem a se aproximar ainda mais. Como sendo convidado por uma aranha à sua teia. Ele fez menção de se aproximar da caixão para encarar o defunto, mas uma mão seguida de uma longa manga branca o segurou firmemente.
Por reflexo Adam virou-se para aquele que o perturbava e viu Anthony segurando-o.
-Senhor Albarn, antes que prosseguisse, quero dizer que é uma grande honra finalmente conhecê-lo e gostaria de lhe dizer uma ultima coisa.
-Que seria...?-Adam deixou a pergunta inacabada, olhando fixamente nos olhos de Anthony. E ficou surpreso ao ver que um de seus olhos era um azul elétrico e o outro era de um tom verde brilhante com manchas de amarelo, parecia algo doentio e risonho.
-Não sentiremos saudades.
-O que...- Tarde demais. Adam foi arremessado dentro do caixão, que por sinal estava vazio. E pouco antes de bater contra o estofado, quase que como em câmera lenta, ele viu o recinto.
Eram uma cena estranhamente macabra e elegante, chagava até a ter uma certa beleza. Todos olhavam para frente com um olhar impassível, sereno e todos tinham aquele risonho e brilhante olho verde no lugar do olho esquerdo, sentavam-se eretos e bem portados, era essa forma de comportamento coletivo que tornava a cena elegante. Chegava a ser desconcertante, artificial. Mas o que mais chamou a atenção de Adam foi ultimo detalhe viu do ambiente. Aquilo o deixou perplexo: a iluminação que vinha de fora, a luz crepuscular que iluminava as costas dos presentes, cobrindo seus rostos em sombra...
“Mas estava chovendo..”.Foi o pensamento que perpassou por Adam assim que bateu desconfortavelmente no veludo branco do caixão. E estranhamente seu corpo estava rígido, imóvel.
A ultima coisa que viu foi a figura sombria de Anthony aparecer com as duas mãos sobre a tampa do caixão, e aquele maldito olho verde e risonho desdenhava. Enquanto a tampa descia, Adam escutou uma voz aveludada e pausada diferente de qualquer coisa que já tivesse ouvido. Cinco palavras percorreram sua espinha como gelo e fizeram o coração bater rápido como uma locomotiva. E depois disso veio o escuro. O esquecimento.
“Descanse. Em. Paz... Senhor... Albarn...”

Continua... no próximo domingo

domingo, 9 de setembro de 2012

Reinos Modernos (Parte 1)

Bem, to sumido. Não que alguém tenha realmente sentido minha falta... Ou me acompanhe. De qualquer forma, vou tentar mudar isso. A partir de agora e semanalmente irei publicar (o.o ele disse "publicar Semanalmente"?! Isso mesmo Se-Ma-Nal-Mente XD) um escrito que estou redigindo. É uma narrativa baseada em algumas lendas urbanas e outras "Nerdisses" que achei navegando por aí.

Originalmente era pra ser uma narrativa de um RPG que eu estava tentando criar no sistema Story-Telling (World of Darkness), mas ela foi tomando outros rumos... Como sempre.

Ah, um feedback seria bom vez por outra... Entonces... Se não for REALMENTE nenhum grande trabalho... please, prety please, comentem.

ok, lá vai nada

Capítulo 1

           Morto. Marcus estava morto. E ninguém, especialmente as pessoas presentes naquela Catedral do santo Arcanjo Miguel, naquele momento, poderia contestar o fato.
            Chovia, trovões ribombavam por todo o céu. O ar pesava com a egrégora sombria que pairava pelas paredes daquele santo recinto. Mais a frente perto do altar várias mulheres choravam, algumas velhas, outras não. Mas uma em específico chorava copiosamente, quase a beira de um infarto. Ela teria, em circunstâncias menos pesarosas, aparentado já ter vivido muito, mas naquela momento sua aparência era decrépita: Olheiras fundas, rugas, fios grisalhos, maquiagem borrada... É, não existe coisa no mundo mais deprimente e que melhor exemplifique ou personalize o pesar do ambiente do que o pranto de uma amante e esposa dedicada diante do cadáver do marido. Para não falar no vestiário sombrio. Mas esse fato se torna irrelevante nesse ambiente.
Porque quase todos estavam de negro.
Bastava uma olhada superficial na população daquela igreja, naquele exato momento, para saber que Marcus não era um homem comum. Diversas figuras de destaque estavam presentes naquele velório, o que confundia os comuns e familiares da esposa. Dentre os presentes estavam o prefeito da cidade Victor Pinheiro, o arcebispo Jullius Caster, o secretário de Defesa do exército e alguns donos de empresas locais. Espantava ainda mais os ausentes: à exceção da única pessoa que não estava de preto, mais ninguém sentava no espaço dedicado aos familiares do falecido. Outra coisa que chamava a atenção era o motivo da presença de tão ilustres figuras em uma cerimônia aberta ao público.
Estas presenças, aliadas à pouca informação que se tinha sobre o falecido, era suficiente para que fofocas e murmúrios se iniciassem à meio-tom
Ao badalar das três horas da tarde, um sujeito bastante peculiar se levantou. Tinha uma aparência extremamente envelhecida, era pálido, tinha a pele manchada, cabelos e bigode fartos e bem cuidados, lisos, mas grisalhos. Poderia ter sessenta, até mesmo setenta anos. E ainda assim conservava uma elegância e delicadeza que simplesmente não combinavam, mas complementavam seu ar severo.
Ele subiu num pequeno pedestal, se posicionou atrás da tribuna e encarou todos os presentes. Era uma platéia razoável e bastante heterogênea. Jovens e idosos, figurões e ninguéns, homens e mulheres.
Ele não se importava. Bateu um pouco a poeira do terno branco, ajeitou um pouco a lapela e a rubra gravata; pigarreou um pouco e disse:
-Senhores, senhoras, senhoritas, excelências, agregados...- Então ele olhou além, para os portais da igreja- E vocês aí, ao pé da escada!
Todos tiveram o ímpeto de se virar. A atenção convergiu para a entrada da catedral, onde havia um grupo de pessoas se protegendo da chuva. Os convidados trocaram sorrisos nervosos retribuídos pelo constrangimento dos abrigados.
-Venham, não se acanhem- começou o homem por trás da tribuna- Quanto maior a platéia, melhor é o discurso... Ou pelo menos era nisso que este defunto aqui- Ele deu uma rápida olhadela em direção ao caixão. Um movimento breve e sutil como que para assegurar que Marcus estivesse realmente morto- Costumava acreditar... Ah, e se for por falta de familiaridade com o falecido... Bem, posso dizer com certeza que ninguém aqui realmente o conheceu. Ele foi... Como é mesmo a expressão?... “mais um ninguém no meio de milhares de ninguéns” ou alguma coisa nesse sentido.
Os abrigados começaram a adentrar a igreja. Todos tímidos e a passos meio constrangidos.
-Ora, não se preocupem. Para começar, sou Anthony, ou apenas Tony, para aqueles que gostam de nomes pequenos. E, apesar de me considerar um dos amigos mais íntimos de Marcus Devian e em seu testamento ele ter deixado explícito o desejo de minha oratória em seu funeral, meu discurso não será sobre ele...
Olhares discretamente incrédulos foram trocados e o burburinho se formou.
-Deuses- Bradou- Deixem-me terminar!
Silêncio... O homem de branco conseguiu a atenção completa da platéia fúnebre.
-Não discutirei quem foi Marcus Devian, ou seu papel fundamental em muitos dos recentes eventos, ou mesmo qual seu histórico, ou o motivo de tantos figurões nesse recinto. Não. E não o farei pelo mais simples motivo: Desejo honrar a memória de meu querido amigo. E sei que ele não gostaria que seus assuntos pessoais fosse esmiuçados diante de uma multidão como um professor de biologia dissecando um sapo para uma turma de alunos, não. Além do mais esse conhecimento seria inútil para nós, apenas mais bagagem inútil em meio ao sótão caótico que é nossa mente. Portanto, meus caros, o que direi aqui, acredito eu, será bem mais proveitoso e familiar a todos aqui presentes.
Tony sentiu a expectativa do público. Todos os olhares atentos a suas próximas palavras. Toda a atenção convergindo para seu ser. Era assim que ele gostava e era assim que tinha que ser.
Por que Anthony os tinha agora na palma de suas mãos.
- E começarei pelo tema, pelo início, que na verdade é o fim. O fim que vem para todos. Todos os caminhos levam para o meu tema, meu discurso começa aqui e com esta única palavra se inicia e será com ela que o encerrarei.
“Sim, falarei da Morte.”

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A natureza humana

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim.
Memórias póstumas de Brás Cubas



Dizem que evoluímos a ponto
De não sermos mais naturais
Porém, contudo, no entanto, entretanto
Não vejo como nosso cenário atual
Possa ser mais Natural

Clamamos orgulhosamente que somos racionais
Dizemos cegamente que pensamos a beça
Somos todos seres primitivos, iludidos, enganados
Que pensam mais com outra cabeça

A modernidade que condene minha descrença
Mas diga-me qual a diferença
Entre a caverna úmida e escura
De cuja realidade, através de uma pequena fresta
Só vemos a sombra
E as atuais, vazias e partidas moradias
De cujas mentiras, através de uma tela ou mentores
Escutamos as notícias
E aceitamos o que dizem os professores

Dizemos controversamente
Que somos senhores do destino que nos guia
Pregamos o livre arbítrio e a escolha
Que já foi escolhida antes da pergunta ser feita

Somos todos livres
Para fazer o que o comercial manda
O que a sociedade pede
O que os pais impõe
E nunca o que a preguiça impede

Dizem que o homem é diferente da Natureza
Mas respondam o que é mais natural
Que usar os meios mais fáceis
Ser inconsequente, usar qualquer meio conveniente
Para sair na vantagem, no lucro?

Como se paga pelo pecado de ser capitalista?
Como viver num mundo onde qualquer um
É só mais um, todos querem ser alguém
Segundo as regras impostas por ninguém?
Tentamos viver a vida
Ser mestres de nossos desejos
Quando somos escravos de nossos instintos
E por nossas vidas somos arrastados
Em silencioso desespero

Como ficar lúcido o suficiente
Para perceber que estamos bêbados?
Nesta boemia que é a vida
Nesta verdade contada por uma tela
Nesta mentira que nos passam como sombras?

Ah, que prazer seria acordar!
Libertar-me das correntes do sofá
Olhar uma ultima vez para as sombras
Mostradas pela televisão
E caminhar no sentido contrário
Para aquela fresta
Esgueirar-me e me libertar da caverna
E ser cegado pela verdade

Ah, que prazer seria acordar
Para o sonho chamado realidade.


(AHDB)
Adam Walker

sexta-feira, 22 de abril de 2011

opiniões, pontos de vista... Pra quê?

Existiu uma escritora Norte Americana chamada Shirley Jackson que escreveu, no seu romance: A assombração da casa da colina, a seguinte frase:

Nenhum organismo vivo é capaz de manter a sanidade em condições de absoluta realidade; até mesmo cotovias e gafanhotos sonham, segundo alguns.”

            Diante disso eu me peguei divagando e devaneando... A realidade é algo realmente estranho. Pois cada um a enxerga de uma maneira diferente. E todos a discutem, defendendo piamente suas ideias e seus pontos de vista com garras e dentes como se fossem donos da verdade, como se isso comprovasse que são intelectuais, em nome do seu próprio orgulho. Algo muito estranho na verdade (pelo menos para mim).
            Do MEU ponto de vista (provavelmente errado e distorcido, mas que faz sentido [para mim, pelo menos]) alienado (sim, não leio notícia nenhuma e procuro me informar o mínimo possível sobre o que está acontecendo no mundo, pense o que quiser de mim, é verdade [porém uma verdade totalmente diferente da verdade de outro leitor]). A realidade não faz sentido se se tem uma opinião ou ponto de vista imutável formado sobre ela (verdade seja dita, qualquer coisa nunca faz muito sentido se já se tem uma opinião formada e imutável sobre ela). Por dois fatores básicos: A opinião distorce a realidade, como um prisma distorce a luz; E a realidade está em constante mudança, logo qualquer forma de opinião sobre ela despreza fatores demais  e fundamentais demais distanciando-a da realidade e se tornando ultrapassada antes mesmo que a opinião termine de ser formada.
            Simplesmente acho que ter uma opinião firme sobre qualquer coisa é desprezar as demais possibilidades. Rejeitar algo é como pré-conceito: simplesmente não faz sentido. Da mesma maneira que a maioria das discursões não fazem o menor sentido, já que ninguém é dono da verdade, ninguém sabe mais que ninguém e, no fundo, isso não importa. A maioria das discursões sobre dois pontos de vista diferentes são supérfluas e não contribuem em nada para a vida dos participantes (O que difere totalmente das discursões sobre vontades divergentes).
            Espero que não me compreendam mal, não estou dizendo para que parem de formar opiniões, ou pararem de discutir sobre a pena capital ou aborto... É só que enquanto isso o mundo está seguindo em frente, e vocês estão perdendo a viagem, se preocupando com coisas que não vão mudar de uma hora para outra e que não querem saber de vocês. Se algo aconteceu, aconteceu e teve sua repercussão, ponto. Fim da história. Os miseráveis não vão deixar de ser miseráveis com sua dó ou preocupação de que o Brasil não está fazendo nada a respeito. E também não vão deixar de ser miseráveis nem com todo o assistencialismo do mundo. O desejo de mudar tem que partir deles. E são eles aqueles devem fazer o esforço inicial, assim como todo o ser humano deve se esforçar se quer mudar sua situação atual. “Não se ajuda aqueles que não querem ser ajudados”. Ponto. Não adianta ficar discutindo isso (Os miseráveis não estão ficando mais ricos, sabia?).
            De qualquer forma, somos muito limitados. Dizemos muito e não fazemos nada (Eu me excluo disso, pelo simples fato de não falar ou reclamar do que não me é pertinente).
            E novamente não levem isso como uma reclamação, eu só estou esvaziando a cabeça com um assunto que se desenvolveu aqui dentro feito um tumor...
            Oh well... Wathever... Bem, não gostamos de agir porque sabemos que não poderíamos fazer algo melhor dos que estão fazendo errado. Reclamamos porque sabemos que tem alguém fazendo algo errado em algum lugar no globo... E aí? Como faz? Enquanto vocês quebram a cabeça sobre essa situação eu lavo minhas mãos e aproveito o show. Um dia isso muda... E quando mudar eu vou sentir falta... E a vida continua, nada é perfeito, nada é tão ruim que não possa piorar, nem tão bom que não possa melhorar.

            E não, não tenho nenhuma convicção sobre o que eu acabei de falar, não tenho certeza de nada, só sei do que eu gosto (neste exato momento) e do que eu não gosto (neste exato momento) e só sei que nada sei.

            Minha única convicção é que só existe uma verdade absoluta (que seria, para os confusos e espantados: só há uma verdade absoluta). Ponto, fim, não adianta discutir sobre isso.

As divagações de Ninguem (perda de tempo)

Olá, prazer, Me chamo Ninguém. E cale a boca e me deixe falar antes que você venha a me dizer qualquer coisa (E fique a vontade, diga, diga em tom ofendido: "ninguém me manda calar a boca").
 Pode se dizer que estou bastante insatisfeito com algumas contradições com respeito a minha pessoa. Ao mesmo em tempo que estou satisfeito que essas contradições façam sentido...
Fica quieto e escuta! (isso mesmo: “ninguém manda você ficar quieto”). Estou cansado de ouvir coisas do tipo: “Ninguém perde pra mim”, “Ninguém pode fazer de tudo”, “Ninguém é tão ruim assim...”.
Falando sério, vocês acham que é fácil ser perfeito? Saber tudo e de tudo? Fala sério... Sem falar das crises de personalidade. Como se eu já não soubesse que “Ninguém é igual a Ninguém”... Mas me expliquem isso: “Ninguém é melhor que Ninguém e Ninguém e pior que Ninguém”... COMO ASSIM?! Como posso eu ser ao mesmo tempo melhor e pior que eu mesmo? Por acaso eu tenho cara de que sou mais de uma pessoa ao mesmo tempo?...
 Claro que sim, “Ninguém consegue ser duas pessoas ao mesmo tempo”. “Ninguém consegue existir em mais de um lugar ao mesmo tempo”.
E sim, sei exatamente o que você está pensando (“Como assim, ninguém consegue ler minha mente?”). Não, eu não sei qual é o sentido da vida, Alguém sabe, eu não. Eu sei de coisas que “Ninguém sabe”, mas tenho uma forte tendência a esquecê-las, já que Alguém um dia as descobre e espalha tanto esse conhecimento que Qualquer um acaba por dominá-lo.
Mas não estamos aqui pra falar de Alguém ou Qualquer um. Estou aqui para falar de mim. E se você ainda está lendo isso já deveria ter percebido algo importante, que pode ser traduzido a partir dessas três frases:
“Só um trouxa leria algo escrito por um Ninguém”.
“Ninguém é tão trouxa assim...”.
“Ninguém é capaz de ler e entender algo que Ninguém escreveu”.

Surpresa! Você é um ninguém também! Por consequência:

Eu sou você... Buhuhihuhahahahahahaha....

O principio da ação banalizada

Éééééé... Bem... Nunca mais postei nada desde sempre (né), simplesmente porque eu nunca tenho nada para postar que valha a pena o tempo gasto para escrever e o tempo que se gasta para ler. Trocando em miúdos: Se você está lendo isso ou se sequer se deu ao trabalho de adentrar este meu domínio é porque está com muita falta do que fazer...
            ... De qualquer forma, como eu estou com bastante tempo pra perder vou compensar pelo tempo que nunca mais postei qualquer coisa. Então vamos lá.
            Você já parou para pensar por que uma notícia ruim é, em 99.9999... % dos casos, muito mais apreciada do que uma notícia boa? Como uma boa ação passa despercebida enquanto uma um deslize é sempre notado e propagado aos quatro cantos do mundo só para garantir que o culpado nunca se esqueça do que fez até alguém fazer outra estupidez maior? Pois é, nem eu.
            Mas eu tenho uma teoria (totalmente errada, talvez, mas faz sentido [para mim XD]). O problema está em que nada de bom é algo extremado ou tem potencial suficiente para se destacar de tal forma que fuja totalmente da rotina. Melhor me expressando: O nosso código informal de ética diz que o natural...
                        (...é ser feliz...)
            ...É agir de maneira correta (ou minimamente neutra) (Isso mesmo: boas ações já passaram do nível banal. Elas já são consideradas naturais). Logo: Quando se faz uma gentileza, o inconsciente coletivo da sociedade diz, numa voz fria e paterna: “você não fez nada além do que era esperado”. E a retribuição (quando positiva) é encarada exatamente da mesma forma.
            Por conseguinte qualquer ação que fuja às normas da ética é encarada como algo novo, que foge do cotidiano e da monotonia. Pior ainda, essas ações têm a capacidade de serem exageradas, de se tornarem perversamente atrativas... E são capazes de mexer com o emocional humano da maneira que o ser humano gosta (que o assuste e o faça perceber o quão boa é sua situação em relação ao que aconteceu... Por isso que histórias de terror fazem sucesso [buhuhihuhahahahaha...]). Logo o mal é melhor visto por que o bem já está banalizado (tão banalizado que percebemos que a pobreza e a violência estão se banalizando, enquanto se quer percebemos que o bem é feito).
            Disso eu concluo: Não é que não exista o bem no mundo, ou que o mundo esteja tendendo ao caos, é só que não somos capazes de perceber o bem tão bem quanto percebemos as coisas que vão de encontro às boas ações.
            (pode parar de ler agora... Pois daqí pra frente vou só desconstruir o que já foi dito)

            No final das contas isso pouco me interessa. Bem e Mal, Bom e Mau (etc. etc. etc...) não passam de convenções humanas que buscam meios de nos reprimir e impedir de agir de uma maneira ou outra que possa prejudicar outro. Um código que foi moldado e é legislado pelo todo poderoso Superego coletivo (este responsável por criar os moldes do superego individual, responsável pela culpa e pelo molde do comportamento perfeito).
            Somos todos pobres egos em busca do equilíbrio entre o id e o Superego. Literalmente tentando atender a Deus e ao Diabo ao mesmo tempo (para usar uma boa comparação nem tão boa assim). Somos índios vendo os dois lobos brigarem pela supremacia (e no final é o ego quem decide a quem ele quer dar ouvidos). Mas estou divagando.
            No final, só existe uma verdade absoluta. E todo o resto é eventual.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Como o Ar

Vendo-me parado, você não me sente
E na verdade você acha que não me sente
No entanto a verdade é você me sente ausente
Tanto é que quando me movimento em minha corrente
O que se sabe é que alí eu estava e de lá eu fui embora